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4ª Mostra Nacional de Práticas em Psicologia no SUAS 2026: Guia Completo para Psicanalistas

4ª Mostra Nacional de Práticas em Psicologia no SUAS 2026: Guia Completo para Psicanalistas

A psicanalista que trabalha na assistência social conhece bem o desafio: fazer a escuta do sujeito onde ele está. Nos CRAS. Nos CREAS. Nos centros de acolhimento. Nas comunidades. A Mostra Nacional de Práticas em Psicologia no SUAS 2026 é uma chance concreta de mostrar esse trabalho, trocar com outros profissionais e fortalecer a presença da psicanálise nas políticas públicas. O evento, organizado pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP) por meio da CONPAS, acaba de publicar o edital. O tema deste ano dialoga diretamente com o que fazemos na clínica do social: “Territorialidades, Interseccionalidades e Práticas de Cuidados”.

Se você é psicanalista e atua ou quer atuar no SUAS, este guia é para você. Vamos destrinchar o edital CFP 6/2026, explicar como inscrever seu trabalho e refletir sobre os desafios e as possibilidades da psicanálise nesse contexto.

O que é a 4ª Mostra Nacional de Práticas em Psicologia no SUAS?

A Mostra é um evento bienal promovido pelo Conselho Federal de Psicologia. O objetivo é divulgar e valorizar práticas inovadoras na assistência social. Não é um congresso acadêmico tradicional. É um espaço de encontro entre profissionais, pesquisadores, estudantes e trabalhadores da ponta, que compartilham o que de fato acontece no cotidiano do SUAS. Uma discussão parecida com a que fizemos sobre a Psicologia do Trading Forex: O Segredo por Trás da Disciplina e dos Lucros Consistentes, que também exige uma escuta atenta do sujeito inserido em um contexto específico, longe do setting tradicional.

A edição de 2026, a quarta, trará o tema “Territorialidades, Interseccionalidades e Práticas de Cuidados na Política de Assistência Social”. O evento será descentralizado, com cinco etapas regionais entre setembro e outubro de 2026, cada uma sediada por um Conselho Regional de Psicologia (CRP). As inscrições e submissões de trabalhos seguem prazos específicos para cada região.

Para psicanalistas, é uma oportunidade de mostrar que a escuta do inconsciente não é um luxo de consultório particular. É uma ferramenta potente para lidar com o sofrimento social, as violências estruturais e as vulnerabilidades que marcam o território.

Por que a Psicanálise tem espaço na Mostra?

Há quem ainda pense que psicanálise e assistência social não se misturam. A prática mostra o contrário. A psicanálise no SUAS vem crescendo, com profissionais que articulam a escuta clínica com a lógica das políticas públicas, sem perder a aposta no sujeito.

O tema da Mostra, com suas ênfases em territorialidades e interseccionalidades, dialoga diretamente com o que a psicanálise pode oferecer. Territorialidade não é só endereço. É onde o sujeito constrói seus laços, suas marcas, seus sintomas. Interseccionalidade não é só conceito acadêmico. É a forma como raça, gênero, classe e outras dimensões se cruzam na produção do sofrimento psíquico.

A Mostra valoriza a diversidade teórica, e a psicanálise é um dos referenciais bem-vindos. Já vimos relatos de atendimentos em CRAS com crianças, grupos de mães em CREAS, rodas de conversa em centros de acolhimento — tudo com inspiração psicanalítica. Se você tem uma experiência assim, ela pode e deve ser inscrita.

Como inscrever seu trabalho psicanalítico?

O primeiro passo é ler o edital CFP nº 6/2026 na íntegra, disponível no site da CONPAS (conpas.cfp.org.br). Lá você encontra todas as regras, os prazos e os formatos aceitos.

Escolha a modalidade

Os trabalhos podem ser submetidos em diferentes modalidades: relato de experiência, pesquisa, ensaio ou pôster. Para psicanalistas, o relato de experiência costuma ser o mais adequado. Você descreve uma prática concreta, contextualiza o setting institucional e mostra como a escuta psicanalítica operou ali.

Estruture o resumo

O resumo deve seguir uma estrutura clara: introdução, objetivos, método, resultados e considerações finais. Não é um texto para fazer teoria pura. É para mostrar o que você fez, como fez e o que aprendeu.

  • Na introdução, situe o leitor no contexto institucional e no território.
  • Nos objetivos, deixe claro o que você buscou com aquela prática.
  • No método, descreva o dispositivo clínico: atendimentos individuais? Grupos? Rodas? Como a psicanálise orientou a condução?
  • Nos resultados, traga elementos concretos. Não precisa ser “cura”, mas mudanças na relação do sujeito com seu sofrimento, deslocamentos subjetivos, novas possibilidades de laço.
  • Nas considerações finais, reflita sobre os limites e as potências daquela prática.

Relacione com o tema

O edital pede que o trabalho dialogue com o tema da Mostra. Então, ao escrever, explicite como sua prática psicanalítica se conecta com territorialidades e interseccionalidades. Por exemplo: como a escuta levou em conta o território onde o usuário vive? Como as intersecções de raça, gênero e classe apareceram na transferência?

Fique atento ao calendário

Cada região tem prazos próprios. Veja os principais:

  • Etapa Norte (Santarém/PA, CRP 10): evento 4-5/9/2026. Submissão: 10/7 a 25/7/2026.
  • Etapa Centro-Oeste (Brasília/DF, CRP 01): evento 11-12/9/2026. Submissão: 13/7 a 29/7/2026.
  • Etapa Sudeste (Vitória/ES, CRP 16): evento 25-26/9/2026. Submissão: 27/7 a 12/8/2026.
  • Etapa Nordeste (Fortaleza/CE, CRP 11): evento 9-10/10/2026. Submissão: 10/8 a 26/8/2026.
  • Etapa Sul (Florianópolis/SC, CRP 12): evento 30-31/10/2026. Submissão: 31/8 a 16/9/2026.

As inscrições para participar como ouvinte também seguem prazos específicos, geralmente até a data do evento.

Desafios da Psicanálise no SUAS

Não é fácil. Quem atua na assistência social sabe que o setting clássico — sessão de 50 minutos, divã, horário fixo — simplesmente não se aplica. É preciso adaptar a escuta psicanalítica a um contexto de urgências, demandas múltiplas e equipes multiprofissionais. A situação lembra o debate sobre o CFP, Conanda e CNPCT Contra Acolhimento de Crianças e Adolescentes em Comunidades Terapêuticas, onde a escuta do sujeito e a defesa de um setting ético se chocam com estruturas institucionais rígidas e, muitas vezes, violentas. Para entender melhor como funciona essa escuta fora do consultório, vale conferir o guia sobre como é uma sessão de psicanálise e pensar nas adaptações possíveis.

Adaptação ao setting institucional

No CRAS ou no CREAS, o tempo é curto. A demanda é concreta: ajuda com benefício, orientação jurídica, encaminhamento. O profissional muitas vezes é visto como “técnico” que resolve problemas. Como sustentar uma escuta que aposta no sujeito, no inconsciente, na transferência, quando o usuário chega pedindo uma cesta básica?

A saída não é abandonar a psicanálise, mas inventar dispositivos. Atendimentos breves, rodas de conversa, grupos operativos, acolhimentos em dupla. Tudo pode ser orientado pela ética psicanalítica, desde que o profissional mantenha a aposta na singularidade.

Tensão entre clínica e urgência social

Há uma tensão real entre a lógica da clínica clássica (tempo para elaboração, associação livre, análise do desejo) e as urgências da assistência social (fome, violência, despejo, perda de vínculos). O psicanalista no SUAS precisa lidar com isso sem romantizar nem desistir.

Preconceito teórico

Alguns gestores e colegas de outras áreas ainda veem a psicanálise como “não científica” ou “elitista”, inadequada para a realidade da assistência social. Esse preconceito pode dificultar a inserção e a valorização do trabalho psicanalítico. A Mostra é um espaço para combater isso com exemplos concretos.

Possibilidades e estratégias para psicanalistas

Apesar dos desafios, há muitas portas se abrindo. A psicanálise pode oferecer algo que outras abordagens às vezes deixam de lado: a escuta do sujeito ali onde ele parece reduzido a um caso social.

Use os conceitos a seu favor

Transferência, escuta do sujeito, singularidade. Esses não são termos abstratos. Eles nomeiam o que acontece quando um profissional consegue ouvir, para além da queixa imediata, o que aquele sujeito está dizendo sobre seu desejo, seu sofrimento, sua história. No SUAS, isso é revolucionário.

Crie dispositivos clínicos flexíveis

Grupos, rodas de conversa, atendimentos breves, acolhimento inicial orientado pela psicanálise, supervisão clínico-institucional para a equipe. São muitas as possibilidades. O importante é que o dispositivo seja pensado a partir do território e das condições reais de trabalho.

Documente e publique

A Mostra é um incentivo para que psicanalistas escrevam sobre sua prática. Se você ainda não publicou, comece com um relato de experiência. Descreva um caso, um grupo, uma intervenção. Mostre como a psicanálise fez diferença. Isso fortalece a área e ajuda outros profissionais. Para saber como estruturar esse tipo de reflexão, vale a pena conferir o conteúdo sobre psicanálise e pessoas com deficiência, que mostra como articular a teoria com demandas concretas das políticas públicas. Quem está começando pode se beneficiar também de entender melhor para que serve a terapia psicanalítica e como aplicar esses princípios no campo social.

Participe de redes e grupos de estudo

Há grupos de pesquisa e extensão sobre psicanálise e políticas públicas em várias universidades. Participar ajuda a trocar experiências, refinar a prática e se manter atualizado sobre editais e eventos.

Dicas para um resumo de sucesso

  • Seja claro e objetivo. Use linguagem acessível, mas sem perder o rigor psicanalítico. Explique conceitos se necessário, mas não encha o texto de jargão.
  • Relacione explicitamente sua prática com o tema da Mostra. Mostre como territorialidade e interseccionalidade apareceram no seu trabalho.
  • Inclua dados concretos. Número de atendimentos, perfil dos usuários, duração da intervenção, resultados observados (mesmo que parciais).
  • Destaque inovações. O que sua prática tem de diferente? Como você enfrentou desafios específicos do território?
  • Revise o edital. Erros formais (formatação, limites de palavras, referências) podem desclassificar o trabalho. Não deixe para a última hora.

Próximos passos e cronograma

  1. Acesse o site da CONPAS e leia o edital CFP 6/2026.
  2. Escolha a etapa regional mais próxima de você ou que tenha prazos viáveis.
  3. Prepare seu resumo com antecedência. Se possível, peça para um colega ler.
  4. Submeta dentro do prazo da sua região. Não espere o último dia.
  5. Após aprovação, planeje sua apresentação. A Mostra pode ser presencial ou remota, dependendo da etapa.
  6. Participe como ouvinte também — é uma chance de aprender e fazer contatos.

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Perguntas frequentes

Quem pode se inscrever na 4ª Mostra Nacional de Práticas em Psicologia no SUAS?

Podem participar profissionais, professoras(es), pesquisadoras(es) e estudantes de Psicologia, além de outros trabalhadores da assistência social e de políticas públicas intersetoriais. Ou seja, não é exclusivo para psicólogos — outros profissionais que atuam no SUAS também podem inscrever trabalhos.

Qual o prazo de inscrição para a Mostra de Psicologia no SUAS 2026?

Depende da etapa regional. As submissões de trabalhos vão de julho a setembro de 2026, conforme a região. As inscrições como ouvinte geralmente vão até a data do evento. Consulte o edital para prazos exatos.

É possível inscrever trabalhos de psicanálise no SUAS na Mostra?

Sim. A Mostra valoriza a diversidade teórica, e a psicanálise é um dos referenciais aceitos. O importante é que o trabalho dialogue com o tema “Territorialidades, Interseccionalidades e Práticas de Cuidados” e apresente uma prática concreta na assistência social.

Quais são os critérios de avaliação dos trabalhos?

Os critérios estão no edital. Geralmente incluem: pertinência ao tema, clareza na descrição da prática, relevância para o SUAS, inovação e qualidade da escrita. Leia o edital com atenção para não perder detalhes.

Posso inscrever um trabalho em coautoria?

Sim. Trabalhos em coautoria são permitidos. Na submissão, informe todos os autores e seus respectivos vínculos institucionais. Combine com antecedência quem vai apresentar o trabalho no evento, se for o caso.

Conteúdo informativo, não substitui avaliação profissional.

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